Cuidado: A Finasterida Pode Afetar Sua Vida Sexual

Cuidado: A Finasterida Pode Afetar Sua Vida Sexual

Introdução

A finasterida e a dutasterida são medicamentos amplamente prescritos para tratar a alopecia androgenética (calvície) e a hiperplasia prostática benigna (HPB). Apesar de sua eficácia, especialmente na redução da queda de cabelo e no controle do aumento benigno da próstata, esses fármacos têm sido associados a efeitos colaterais significativos que impactam diretamente a vida sexual de alguns homens.

Neste artigo, vamos explorar o que a ciência revela sobre esses riscos, entender como eles acontecem, quem está mais suscetível e quais cuidados você deve tomar antes de iniciar o tratamento.


Como Funciona a Finasterida e a Dutasterida

Ambos os medicamentos atuam inibindo a enzima 5α-redutase, responsável por converter a testosterona em dihidrotestosterona (DHT) — um hormônio essencial para o desenvolvimento de características masculinas e para a saúde sexual.

Ao reduzir os níveis de DHT, eles conseguem:

  • Diminuir a progressão da calvície.

  • Reduzir o tamanho da próstata em casos de HPB.

Porém, essa inibição hormonal também pode gerar consequências indesejadas.


Efeitos Colaterais Sexuais: O que dizem os estudos

Um estudo de Solam Lee et al. (2019), que analisou 15 ensaios clínicos, encontrou:

  • Aumento de 1,57 vezes no risco de disfunção sexual com o uso de inibidores da 5α-redutase.

  • Para a finasterida, o risco foi ainda maior: 1,66 vezes.

  • Cerca de 5,85% dos usuários relataram efeitos como baixa libido, disfunção erétil e dificuldade para ejacular.

Outro estudo, de T. Kiguradze et al. (2017), analisou 11.909 homens e identificou 167 casos de disfunção erétil persistente (PED) — ou seja, que continuaram mesmo após a suspensão do medicamento. A duração média desse problema foi de impressionantes 1.348 dias (mais de 3 anos!).


Por que isso acontece?

Os mecanismos principais incluem:

  • Queda do DHT → Reduz libido e pode prejudicar a ereção.

  • Menor produção de Óxido Nítrico (NO) → Piora o fluxo sanguíneo no pênis.

  • Alterações neurobiológicas → Mudanças no metabolismo dos neuroesteróides podem afetar humor e desejo sexual.

Esses efeitos ajudam a explicar casos de depressão, ansiedade e até pensamentos suicidas relatados por alguns usuários.


Síndrome Pós-Finasterida (PFS)

A PFS é caracterizada por sintomas sexuais, neurológicos e físicos persistentes após a interrupção da finasterida ou dutasterida.
Sintomas comuns:

  • Disfunção erétil

  • Baixa libido

  • Depressão e ansiedade

  • Problemas cognitivos

Embora controversa, a condição já é reconhecida por grupos de pesquisa e pacientes afetados, e está sendo cada vez mais estudada.


Quem corre mais risco?

  • Homens jovens (16 a 42 anos)

  • Uso prolongado — acima de 205 dias aumenta significativamente a probabilidade de disfunção erétil persistente.


Alternativas e Cuidados

Se você está considerando iniciar finasterida ou dutasterida:

  • Converse com seu médico sobre riscos e benefícios.

  • Monitore sinais como queda da libido ou dificuldade de ereção.

  • Avalie alternativas, como tratamentos tópicos ou terapias complementares para calvície.

  • Em caso de sintomas, procure ajuda imediatamente para ajustar ou interromper o tratamento.


Conclusão

A finasterida e a dutasterida podem trazer resultados positivos para queda de cabelo e problemas de próstata, mas não são isentas de riscos. Efeitos sexuais adversos, inclusive persistentes, podem ocorrer e devem ser levados a sério.
Antes de iniciar o tratamento, pese os benefícios e riscos com orientação médica e mantenha um acompanhamento constante.

Dr. Paulo Esteves
Dr. Paulo Esteves

O Dr. Paulo Esteves é Médico Cirurgião Urologista com atuação principalmente nas áreas de Andrologia, Medicina Sexual Masculina e Estética Genital Masculina.